El Niño no Centro-Oeste: calor e chuvas irregulares podem ameaçar soja e milho?

Neste artigo
- O El Niño 2026/2027 já está confirmado?
- O que pode acontecer no Centro-Oeste?
- No primeiro momento, o tempo seco pode até ajudar
- O primeiro risco: atraso no plantio da soja
- O efeito dominó sobre o milho segunda safra
- Goiás: atenção ao sul e ao sudoeste do estado
- Mato Grosso: o atraso da soja pode comprometer todo o calendário
- Mato Grosso do Sul: soja, milho e pecuária sob riscos diferentes
- A pecuária também pode ser duramente afetada
- El Niño significa quebra de safra no Centro-Oeste?
- A maior perda pode aparecer no vencimento do contrato
- O El Niño dá direito automático à prorrogação da dívida?
- O produtor precisa começar a produzir provas agora
- Fotos da lavoura são suficientes?
- Não deixe a parcela vencer para começar a agir
- A MP 1.376 cobrirá as perdas do El Niño 2026/2027?
- Sete cuidados para o produtor do Centro-Oeste
- Perguntas frequentes
- Conclusão: o risco começa no clima, mas pode terminar no patrimônio
O El Niño está ganhando força justamente quando produtores do Centro-Oeste começam a planejar a safra 2026/2027.
Em uma região onde o calendário agrícola é apertado, qualquer atraso no retorno das chuvas pode provocar um efeito em cadeia:
- postergar o plantio da soja;
- aumentar a necessidade de replantio;
- reduzir o potencial produtivo;
- atrasar a colheita;
- encurtar a janela do milho segunda safra;
- comprometer a receita esperada;
- dificultar o pagamento de financiamentos e CPRs.
A preocupação não significa que haverá seca em todo o Centro-Oeste.
Os efeitos do El Niño não são uniformes em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Uma propriedade pode enfrentar falta de chuva enquanto outra, no mesmo estado, recebe precipitações suficientes.
Ainda assim, os boletins oficiais indicam que o aumento das temperaturas poderá intensificar a deficiência hídrica no final do período seco, afetando pastagens, recursos hídricos para a pecuária e a preparação da próxima safra. Em maio de 2026, condições de seca moderada e severa já estavam presentes, entre outras áreas, no leste de Mato Grosso e no sul de Goiás.
Para o produtor rural, o risco não termina na lavoura.
Uma safra que começa atrasada ou produz menos do que o esperado pode alterar completamente o fluxo financeiro da propriedade. A parcela continua vencendo, mesmo quando a chuva não chega no momento certo.
Veja também o panorama nacional sobre os impactos do El Niño 2026/2027 no agronegócio brasileiro.
O El Niño 2026/2027 já está confirmado?
Sim.
Em 9 de julho de 2026, a NOAA informou que o El Niño estava em andamento e deveria se fortalecer até o final do ano. A estimativa oficial apontou 97% de probabilidade de permanência até o início da primavera do Hemisfério Norte de 2027 (por volta de março de 2027) e 81% de chance de um evento muito forte entre outubro e dezembro de 2026.
Isso significa que o fenômeno poderá ganhar intensidade durante a primavera e o início do verão, período que coincide com etapas decisivas da safra no Centro-Oeste.
É justamente nessa época que podem ocorrer:
- preparação e dessecação das áreas;
- plantio da soja;
- germinação;
- desenvolvimento inicial das plantas;
- definição do potencial produtivo;
- planejamento da segunda safra.
Mesmo um El Niño muito forte, contudo, não determina que os impactos típicos ocorrerão em todas as localidades. O fenômeno modifica as probabilidades climáticas, mas seus efeitos concretos também dependem das condições regionais, do Atlântico, do solo, da cultura, da época de plantio e da distribuição das chuvas.
O que pode acontecer no Centro-Oeste?
O efeito mais associado ao El Niño no Centro-Oeste não é necessariamente uma ausência completa de chuva.
O maior risco pode estar na combinação de:
- temperaturas elevadas;
- períodos secos mais longos;
- precipitações mal distribuídas;
- rápida perda de umidade do solo;
- ondas de calor;
- chuvas intensas concentradas em poucos dias.
O INMET aponta que a agricultura tende a ficar mais exposta à estiagem e à redução das chuvas especialmente na porção norte do Centro-Oeste. Já o Cemaden destaca o risco de ondas de calor na região e o agravamento da deficiência hídrica ao final do período seco.
Essa irregularidade pode ser mais perigosa do que uma simples redução do volume mensal.
Pode chover uma quantidade próxima da média e, mesmo assim, a lavoura sofrer se a precipitação ocorrer em poucos eventos, separados por longos períodos de calor e baixa umidade.
Para a produção, não importa apenas quanto choveu no mês.
Importa:
- quando choveu;
- por quantos dias a chuva ficou interrompida;
- em qual fase a cultura estava;
- quanto da água permaneceu disponível no solo;
- qual foi a temperatura durante o período.
No primeiro momento, o tempo seco pode até ajudar
O cenário não é inteiramente negativo.
Durante o inverno, o tempo mais seco pode favorecer a colheita do milho segunda safra, do algodão e da cana-de-açúcar no Centro-Oeste.
A redução das chuvas facilita:
- entrada das máquinas;
- secagem dos grãos;
- transporte da produção;
- operações de colheita;
- redução de determinadas doenças associadas à umidade.
O primeiro Boletim do Painel El Niño 2026/2027 indicou condições favoráveis para essas colheitas. O mesmo documento, porém, alertou que o aumento das temperaturas poderá intensificar a deficiência hídrica e afetar pastagens, recursos hídricos e a preparação da próxima safra.
Esse contraste precisa ser compreendido.
O clima que ajuda a retirar a safra atual do campo pode reduzir a umidade necessária para implantar a próxima.
O produtor pode concluir bem a colheita do milho ou do algodão e, poucas semanas depois, encontrar dificuldades para iniciar o plantio da soja.
O primeiro risco: atraso no plantio da soja
A soja depende do retorno consistente das chuvas.
Uma precipitação isolada pode molhar superficialmente o solo, mas não garantir umidade suficiente para germinação e desenvolvimento inicial.
O produtor que planta após uma chuva sem continuidade pode enfrentar:
- germinação desuniforme;
- morte de plântulas;
- falhas no estande;
- necessidade de replantio;
- aumento do consumo de sementes;
- custos extras com máquinas e mão de obra;
- perda de potencial produtivo.
Por outro lado, esperar a regularização das chuvas também pode atrasar o calendário.
Esse é o dilema:
plantar cedo demais pode expor a lavoura à falta de água; plantar tarde demais pode comprometer a segunda safra.
Em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, poucos dias de atraso podem interferir na data da colheita da soja e reduzir a janela disponível para o milho.
O efeito dominó sobre o milho segunda safra
O milho segunda safra depende diretamente do calendário da soja.
Quando o plantio da soja atrasa, sua colheita tende a ocorrer mais tarde. Como consequência, o milho pode ser semeado fora da janela considerada ideal.
Isso aumenta a exposição a:
- redução das chuvas no final do ciclo;
- calor excessivo;
- déficit hídrico durante o florescimento;
- menor enchimento dos grãos;
- aumento do risco de geadas em áreas do sul de Mato Grosso do Sul;
- redução da produtividade;
- dificuldade para cumprir contratos de entrega.
O risco financeiro pode atingir duas safras dentro do mesmo ano agrícola.
A soja pode sofrer com a irregularidade das chuvas no início do ciclo, enquanto o milho pode enfrentar falta de água no final.
Quando as duas principais fontes de receita são atingidas, o produtor pode chegar aos vencimentos sem o faturamento inicialmente projetado.
Goiás: atenção ao sul e ao sudoeste do estado
Goiás possui algumas das principais regiões produtoras de grãos do país, incluindo Rio Verde, Jataí, Mineiros, Montividiu, Chapadão do Céu, Paraúna, Cristalina e municípios próximos.
A produção depende de um calendário sincronizado entre soja, milho, algodão, cana-de-açúcar e pecuária.
Em maio de 2026, o monitoramento citado pelo Painel El Niño já indicava seca moderada e severa no sul de Goiás. Para os meses seguintes, os órgãos oficiais alertaram para temperaturas acima da média e possível intensificação da deficiência hídrica ao fim da estação seca.
Isso não permite afirmar que a safra goiana sofrerá quebra.
Mas justifica atenção a:
- umidade acumulada no solo;
- nível de reservatórios;
- retorno efetivo das chuvas;
- ocorrência de veranicos;
- custos de replantio;
- desenvolvimento das pastagens;
- datas de vencimento das operações.
Produtores com parcelas próximas do período de colheita podem consultar também as condições relacionadas à prorrogação do financiamento rural em Goiás.
Mato Grosso: o atraso da soja pode comprometer todo o calendário
Mato Grosso possui grande dependência do sistema soja-milho.
A rentabilidade anual de muitas propriedades não está ligada apenas ao resultado individual de cada cultura, mas à possibilidade de plantar e colher ambas dentro das melhores janelas.
Com temperaturas elevadas e chuvas irregulares, o produtor pode enfrentar dificuldades na implantação da soja.
O atraso pode reduzir o tempo disponível para o milho, expondo a segunda safra a um período de menor disponibilidade hídrica.
Entre os municípios que exigem acompanhamento estão:
- Sorriso;
- Sinop;
- Nova Mutum;
- Campo Novo do Parecis;
- Sapezal;
- Lucas do Rio Verde;
- Primavera do Leste;
- Campo Verde.
O impacto também pode variar dentro do próprio estado.
No leste de Mato Grosso, por exemplo, o monitoramento de maio de 2026 já apontava áreas com seca moderada ou severa.
A constatação regional ajuda a compreender o cenário, mas não comprova automaticamente a perda individual de uma propriedade.
Mato Grosso do Sul: soja, milho e pecuária sob riscos diferentes
Em Mato Grosso do Sul, a distribuição das chuvas pode produzir consequências distintas conforme a região.
O estado já enfrentou, no início de 2026, episódios de chuvas irregulares e temperaturas elevadas que afetaram áreas de soja tardia e o início do milho segunda safra. O INMET também vinha registrando risco produtivo decorrente do déficit hídrico em áreas do estado.
Para a safra 2026/2027, os cuidados envolvem:
- implantação da soja;
- disponibilidade de água;
- janela do milho;
- pastagens;
- pecuária de corte;
- cana-de-açúcar;
- risco de calor excessivo;
- possibilidade de eventos extremos.
No sul do estado, o produtor ainda precisa considerar que o atraso do milho pode aumentar sua exposição a quedas de temperatura no final do ciclo.
Na pecuária, a deficiência hídrica pode reduzir a capacidade das pastagens e aumentar os custos com suplementação.
A pecuária também pode ser duramente afetada
A discussão sobre El Niño no Centro-Oeste costuma concentrar-se na soja e no milho.
Mas a pecuária também pode sofrer impactos importantes.
O calor e a falta de água podem provocar:
- deterioração das pastagens;
- redução da disponibilidade de forragem;
- necessidade de suplementação antecipada;
- aumento do custo de alimentação;
- menor ganho de peso;
- redução da produção leiteira;
- maior consumo de água;
- venda de animais antes do momento planejado.
O prejuízo pecuário nem sempre aparece em uma imagem dramática da propriedade.
Ele pode surgir gradualmente, por meio do aumento dos custos e da redução do desempenho do rebanho.
Para demonstrar esse impacto, o produtor precisará preservar documentos sobre:
- compra de ração e suplementos;
- lotação das áreas;
- ganho de peso;
- produção leiteira;
- venda antecipada de animais;
- situação das pastagens;
- disponibilidade de água;
- custos extraordinários.
El Niño significa quebra de safra no Centro-Oeste?
Não.
Não é possível afirmar antecipadamente que haverá quebra generalizada em Goiás, Mato Grosso ou Mato Grosso do Sul.
O fenômeno aumenta o risco climático, especialmente em razão do calor, da irregularidade das chuvas e da deficiência hídrica.
Mas o resultado de cada propriedade dependerá de fatores como:
- município;
- tipo de solo;
- cultura;
- época de plantio;
- sementes utilizadas;
- profundidade das raízes;
- manejo;
- capacidade de armazenamento de água;
- presença de irrigação;
- duração dos períodos secos.
Também é possível que algumas áreas recebam chuvas adequadas e tenham bom desempenho.
O produtor deve evitar tanto o excesso de confiança quanto o alarmismo.
A postura adequada é acompanhar, registrar e preparar-se.
A maior perda pode aparecer no vencimento do contrato
Quando o clima compromete a produção, os contratos não se ajustam automaticamente.
O vencimento de uma parcela não é suspenso apenas porque:
- a chuva atrasou;
- houve veranico;
- a lavoura precisou ser replantada;
- a produtividade caiu;
- a colheita ocorreu depois do previsto;
- o preço de comercialização foi insuficiente.
O produtor pode enfrentar dificuldade para cumprir:
- operações de custeio;
- financiamentos de investimento;
- parcelas de máquinas;
- CPRs financeiras;
- CPRs físicas;
- contratos de barter;
- compromissos com fornecedores;
- arrendamentos rurais.
Uma perda temporária de capacidade de pagamento pode evoluir para inadimplência, cobrança de encargos, vencimento antecipado, execução ou busca e apreensão de equipamentos.
Por isso, o risco precisa ser analisado antes que o problema chegue ao vencimento.
O El Niño dá direito automático à prorrogação da dívida?
Não.
A confirmação do fenômeno não significa que todo produtor terá direito automático ao alongamento ou à prorrogação.
O pedido dependerá, entre outros fatores, de:
- natureza da operação;
- causa da dificuldade;
- ocorrência efetiva da perda;
- relação entre a perda e a atividade financiada;
- redução da capacidade de pagamento;
- possibilidade de pagamento em um novo cronograma;
- documentação apresentada;
- momento em que o pedido foi formulado.
O El Niño serve como contexto climático.
A perda individual ainda precisa ser demonstrada.
Dependendo do contrato e das circunstâncias, poderá ser analisada a possibilidade de alongamento da dívida rural.
O produtor precisa começar a produzir provas agora
Um dos maiores erros é esperar a colheita terminar para tentar reconstruir tudo o que aconteceu.
A documentação deve começar antes do plantio e continuar durante todo o ciclo.
Antes do plantio
Preserve:
- contratos de crédito;
- CPRs;
- aditivos;
- cronogramas de pagamento;
- orçamento da safra;
- produtividade estimada;
- histórico produtivo;
- notas fiscais de sementes e insumos;
- mapas das áreas;
- registros de umidade do solo;
- previsão da época de plantio.
Durante o desenvolvimento da lavoura
Registre:
- data de plantio;
- volume de chuva;
- falhas na germinação;
- áreas replantadas;
- períodos de estiagem;
- ondas de calor;
- doenças;
- redução do estande;
- desenvolvimento das plantas;
- custos adicionais;
- visitas de assistência técnica.
Na colheita
Organize:
- mapas de produtividade;
- romaneios;
- tickets de pesagem;
- relatórios de armazém;
- notas fiscais;
- descontos por qualidade;
- quantidade efetivamente produzida;
- comparação com a expectativa inicial;
- laudos e relatórios agronômicos.
Fotos da lavoura são suficientes?
As fotografias ajudam, mas dificilmente serão suficientes isoladamente.
Uma imagem pode mostrar solo seco, plantas danificadas ou falhas na lavoura.
Ela não demonstra, sozinha:
- a área total afetada;
- a produtividade esperada;
- a produção efetivamente obtida;
- o percentual da perda;
- a redução da renda;
- a relação com os contratos;
- a incapacidade de pagamento.
O conjunto de provas deve combinar elementos técnicos, produtivos, climáticos e financeiros.
Uma fotografia sem data, localização ou contexto possui força menor do que um registro organizado, acompanhado de laudo e documentos da produção.
Não deixe a parcela vencer para começar a agir
O produtor não deve provocar a inadimplência acreditando que o atraso facilitará uma renegociação.
O vencimento pode gerar:
- juros de mora;
- multa;
- vencimento antecipado;
- protesto;
- negativação;
- cobrança das garantias;
- execução;
- busca e apreensão.
Quando houver risco de insuficiência de caixa, é recomendável identificar com antecedência:
- quais contratos serão atingidos;
- quando as parcelas vencem;
- quanto se esperava produzir;
- qual é a nova estimativa;
- quais documentos demonstram a perda;
- quando a capacidade de pagamento poderá ser restabelecida;
- qual cronograma seria compatível com a atividade.
A negociação feita antes do vencimento tende a ocorrer em um cenário diferente daquela iniciada depois da adoção de medidas de cobrança.
A MP 1.376 cobrirá as perdas do El Niño 2026/2027?
Não se deve presumir isso.
A redação vigente da MP nº 1.376/2026 trabalha, em sua regra geral, com perdas verificadas em safras entre 2019 e 2025.
Uma eventual perda da safra 2026/2027, portanto, não deve ser tratada como automaticamente incluída na medida.
Produtores que já sofreram perdas anteriores podem consultar a página especial sobre a MP 1.376 e a renegociação das dívidas rurais.
Quanto às novas perdas, será necessário verificar:
- regras ordinárias do crédito rural;
- cobertura de seguro;
- Proagro;
- condições do contrato;
- pedidos de prorrogação;
- eventuais medidas que venham a ser publicadas.
Sete cuidados para o produtor do Centro-Oeste
1. Não plante apenas porque ocorreu uma chuva isolada
Avalie a umidade do solo e a perspectiva de continuidade das precipitações.
2. Registre a data real do plantio
Essa informação poderá ser importante para explicar atrasos na colheita e no faturamento.
3. Documente replantios e custos adicionais
Notas de sementes, combustível, mão de obra e operações de máquinas ajudam a demonstrar o impacto.
4. Acompanhe o calendário do milho
O atraso da soja pode comprometer a segunda safra e afetar duas receitas.
5. Organize os contratos antes do vencimento
Identifique custeios, investimentos, CPRs e operações de barter.
6. Registre os efeitos na pecuária
Pastagens, suplementação e desempenho do rebanho também podem demonstrar prejuízos.
7. Não assine uma renegociação olhando apenas para a parcela
Prazo, juros, garantias e custo efetivo total precisam ser analisados.
Leia também
- Como o excesso de chuva do El Niño pode atingir a Região Sul
- Os riscos do El Niño para o Matopiba
- Quais laudos e documentos comprovam a perda de safra
- O risco de busca e apreensão de máquinas agrícolas
Perguntas frequentes
O El Niño provocará seca em todo o Centro-Oeste?
Não. Os efeitos são irregulares e dependem da área. Existe risco de temperaturas elevadas, períodos secos e chuvas mal distribuídas, mas não é possível afirmar que toda a região terá seca.
Goiás pode ser afetado?
Sim. O sul de Goiás já apresentava áreas de seca moderada ou severa em maio de 2026, e o aumento das temperaturas pode intensificar a deficiência hídrica. Isso não significa perda automática em todas as propriedades.
Mato Grosso pode atrasar o plantio da soja?
Existe risco caso as chuvas não retornem de forma regular. O atraso também poderá reduzir a janela do milho segunda safra.
O El Niño pode afetar a pecuária?
Sim. Calor e deficiência hídrica podem prejudicar pastagens, disponibilidade de água, ganho de peso e produção de leite.
O banco precisa prorrogar a dívida?
Não automaticamente. O caso depende do contrato, da perda efetivamente sofrida, da documentação e da capacidade futura de pagamento.
Quando procurar orientação?
A análise deve começar quando houver risco concreto de a produção não gerar receita suficiente para cumprir os vencimentos. Não é necessário esperar a inadimplência.
Conclusão: o risco começa no clima, mas pode terminar no patrimônio
O El Niño 2026/2027 não permite afirmar que haverá quebra generalizada no Centro-Oeste.
Entretanto, as projeções oficiais justificam preocupação com temperaturas elevadas, deficiência hídrica, pastagens, recursos de água e preparação da próxima safra.
Para soja e milho, o maior perigo pode estar no efeito dominó:
chuva irregular atrasa a soja, a soja atrasada reduz a janela do milho e duas safras comprometidas atingem o mesmo fluxo financeiro.
O produtor que possui financiamentos, CPRs ou parcelas de máquinas não deve esperar a colheita para verificar o tamanho do problema.
A preparação começa agora, com:
- organização dos contratos;
- acompanhamento das chuvas;
- registros da lavoura;
- controle dos custos;
- atualização das estimativas de produtividade;
- identificação dos vencimentos;
- análise preventiva das operações.
O clima não pode ser controlado.
Mas a falta de documentos, a demora para agir e a assinatura de uma renegociação inadequada podem ser evitadas.
O El Niño pode comprometer o pagamento dos seus contratos rurais?
O Gomes Alves & Araújo Advogados atua na análise de financiamentos rurais, CPRs, garantias, vencimentos e documentos relacionados à redução da produção e da capacidade de pagamento.
A análise preventiva permite identificar quais operações estão mais expostas e quais provas deverão ser preservadas caso a irregularidade climática afete a safra.
Cada situação depende dos contratos, das perdas efetivamente sofridas e da documentação disponível.
Analisar meus contratos ruraisConteúdo atualizado em 24 de julho de 2026. As previsões climáticas podem ser alteradas conforme novos dados sejam divulgados. Este material possui caráter informativo e não representa previsão de perda, garantia de prorrogação ou promessa de resultado.
Fontes oficiais consultadas
As previsões climáticas e as regras citadas neste artigo mudam com o tempo. Confirme sempre nas fontes oficiais:
- NOAA / Climate Prediction Center — ENSO Diagnostic Discussion — boletim oficial de monitoramento do El Niño e da La Niña
- INMET — Instituto Nacional de Meteorologia — boletins e dados climáticos oficiais do Brasil
- Monitor de Secas do Brasil — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) — mapas mensais de intensidade da seca por município
- Medida Provisória nº 1.376, de 15 de julho de 2026 — Planalto — texto oficial da norma
