El Niño 2026/2027 já começou: a próxima safra brasileira está em risco?

O El Niño está de volta — e pode ganhar força justamente durante um dos períodos mais importantes para o agronegócio brasileiro.
A preocupação não é apenas climática.
Para o produtor rural, uma chuva que demora a chegar, uma estiagem prolongada ou o excesso de precipitação durante a colheita podem desencadear uma sequência de problemas:
Neste artigo
- O El Niño 2026/2027 já foi confirmado?
- Por que o El Niño preocupa tanto o agronegócio?
- Como o El Niño pode afetar cada região do Brasil?
- Quais culturas podem ser mais afetadas?
- O El Niño significa que haverá perda de safra?
- A maior preocupação pode aparecer depois da lavoura
- O produtor deve esperar a perda acontecer?
- O El Niño dá direito automático à prorrogação da dívida rural?
- A MP 1.376 também cobrirá as perdas do El Niño 2026/2027?
- O que fazer se o El Niño comprometer a produção?
- Sete cuidados que o produtor deve tomar agora
- Perguntas frequentes sobre El Niño e o agronegócio
- Conclusão: a hora de se preparar é antes da perda
- perda de produtividade;
- atraso no plantio;
- redução da janela do milho segunda safra;
- aumento dos custos de produção;
- queda do faturamento;
- dificuldade para pagar financiamentos;
- vencimento de CPRs sem produção suficiente;
- risco de cobrança judicial e perda de garantias.
Em 9 de julho de 2026, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos — NOAA — confirmou que o El Niño está em andamento e deverá se fortalecer até o final do ano.
A projeção oficial aponta 97% de probabilidade de o fenômeno permanecer até o início da primavera do Hemisfério Norte de 2027 (por volta de março de 2027) e 81% de chance de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. Caso essa previsão se confirme, o evento poderá figurar entre os mais intensos dos registros iniciados em 1950.
Isso não significa que toda propriedade rural sofrerá perdas.
Mas significa que o produtor precisa começar a se preparar antes que o problema apareça na lavoura — e, principalmente, antes que apareça no vencimento dos contratos.
O El Niño 2026/2027 já foi confirmado?
Sim.
O El Niño ocorre quando as águas superficiais de uma extensa área do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais aquecidas do que o normal e esse aquecimento começa a alterar a circulação da atmosfera.
Em junho de 2026, os órgãos oficiais brasileiros confirmaram a configuração do fenômeno. O primeiro Boletim do Painel El Niño 2026/2027 registrou aquecimento progressivo do Pacífico Equatorial e probabilidade superior a 90% de permanência até, pelo menos, o início de 2027.
Quanto mais forte o evento, maior tende a ser sua capacidade de alterar os padrões de chuva e temperatura.
Ainda assim, é importante evitar uma conclusão precipitada: um El Niño muito forte não produz exatamente os mesmos impactos em todos os estados, municípios ou propriedades.
O fenômeno aumenta determinadas probabilidades climáticas. A intensidade concreta dos danos dependerá também de fatores como:
- localização da fazenda;
- cultura explorada;
- fase de desenvolvimento da lavoura;
- tipo de solo;
- disponibilidade de água;
- sistema de irrigação;
- momento de ocorrência das chuvas;
- duração dos períodos secos;
- manejo adotado.
Portanto, não é possível afirmar antecipadamente que haverá quebra de safra em determinada propriedade apenas porque o El Niño foi confirmado.
Por outro lado, ignorar o risco também pode sair caro.
Por que o El Niño preocupa tanto o agronegócio?
A atividade rural depende de uma combinação delicada de chuva, temperatura e calendário.
Não basta chover durante a safra. A chuva precisa ocorrer em quantidade e momento adequados.
Uma precipitação intensa depois de um longo período seco pode não recuperar completamente uma lavoura que já perdeu potencial produtivo. Da mesma forma, o excesso de chuva durante a colheita pode reduzir a qualidade do produto, impedir a entrada de máquinas e aumentar os custos.
O El Niño pode provocar efeitos opostos em diferentes partes do Brasil.
As previsões oficiais para o segundo semestre de 2026 indicam maior probabilidade de chuvas acima da média em áreas da Região Sul e precipitações abaixo da média em boa parte do centro-norte do país. Também existe alta probabilidade de temperaturas acima da média, com maior risco de ondas de calor e incêndios florestais.
É justamente essa diferença regional que torna o fenômeno tão complexo.
Enquanto um produtor pode enfrentar falta de água, outro poderá ter a produção comprometida pelo excesso de chuva.
Como o El Niño pode afetar cada região do Brasil?
Região Centro-Oeste
No Centro-Oeste, uma das maiores preocupações está relacionada à irregularidade das chuvas e às temperaturas elevadas.
O período seco pode inicialmente favorecer a colheita do milho segunda safra, do algodão e da cana-de-açúcar. Entretanto, o aumento das temperaturas e a perda de umidade do solo podem comprometer a preparação das áreas e o início do plantio da próxima safra.
Para produtores de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, os principais riscos incluem:
- atraso no início do plantio da soja;
- necessidade de replantio;
- germinação irregular;
- redução do potencial produtivo;
- encurtamento da janela do milho segunda safra;
- aumento da necessidade de manejo;
- deterioração das pastagens;
- redução da disponibilidade de água para a pecuária.
O problema pode ultrapassar uma única cultura.
Quando o plantio da soja atrasa, a colheita também pode ser postergada. Isso reduz a janela ideal do milho segunda safra e altera o momento em que a receita entra no caixa.
A consequência pode aparecer justamente quando vencem parcelas de custeio, investimento ou contratos vinculados à produção.
Veja a análise completa dos efeitos do El Niño no Centro-Oeste sobre soja e milho.
Região Norte
Na Região Norte, a previsão de temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal aumenta a preocupação com a deficiência hídrica.
A redução da umidade do solo pode afetar pastagens, culturas perenes e a agricultura familiar. Também há riscos relacionados ao nível dos rios, aos reservatórios e ao aumento das queimadas.
No Tocantins, por exemplo, a irregularidade das chuvas pode afetar soja, milho, arroz irrigado e pecuária.
No Pará e em Rondônia, a pressão pode aparecer de maneira significativa nas pastagens e no custo de manutenção do rebanho.
Na pecuária, a perda nem sempre aparece como uma lavoura visivelmente destruída.
Ela pode se manifestar por meio de:
- redução do ganho de peso;
- menor capacidade das pastagens;
- necessidade de comprar alimentação;
- aumento dos custos com suplementação;
- redução da produção de leite;
- venda antecipada de animais;
- pressão sobre o fluxo financeiro da propriedade.
Esses efeitos também precisam ser documentados.
Aprofunde-se nos riscos do El Niño para lavouras e pecuária na Região Norte.
Região Nordeste
No Nordeste, o risco de chuvas abaixo da média aumenta a preocupação com estiagens, disponibilidade hídrica, pecuária e culturas de sequeiro.
O problema é especialmente relevante no Matopiba, região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde a produção de soja, milho e algodão possui grande importância econômica.
Se as chuvas atrasarem ou forem mal distribuídas, o produtor poderá enfrentar:
- dificuldade para implantar a lavoura;
- redução do estande de plantas;
- necessidade de replantio;
- quebra de produtividade;
- aumento dos custos;
- perda de pastagens;
- redução dos reservatórios;
- menor capacidade de pagamento.
Em regiões com agricultura de sequeiro, poucos dias de diferença na chegada da chuva podem modificar completamente o resultado da safra.
Leia a análise sobre os impactos do El Niño no Nordeste e no Matopiba.
Região Sul
Na Região Sul, o principal risco costuma ser o excesso de chuva.
O El Niño favorece maior transporte de umidade e pode elevar a probabilidade de precipitações intensas, alagamentos e cheias em determinadas localidades.
O INMET já identificou, em julho de 2026, a consolidação de padrões atmosféricos típicos do fenômeno, favorecendo a ocorrência de chuvas no Sul.
Para produtores do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, os impactos podem incluir:
- solo encharcado;
- erosão;
- atraso no plantio;
- dificuldade de entrada das máquinas;
- impossibilidade de colher no momento correto;
- aumento de doenças fúngicas;
- germinação de grãos ainda na lavoura;
- perda de qualidade;
- danos a estradas e estruturas rurais.
O excesso de produção no campo não significa necessariamente receita.
Se a chuva impedir a colheita, reduzir a qualidade ou provocar descontos na comercialização, o resultado financeiro da safra poderá ser muito inferior ao esperado.
Veja em detalhe o excesso de chuva do El Niño na Região Sul.
Região Sudeste
No Sudeste, os efeitos do El Niño são menos uniformes, mas o calor acima da média e a irregularidade das chuvas merecem atenção.
Café, cana-de-açúcar, pecuária leiteira, horticultura e culturas irrigadas podem ser afetados por períodos prolongados de calor e deficiência hídrica.
No café, por exemplo, uma chuva isolada pode estimular a florada. Se não houver continuidade das precipitações, o pegamento poderá ser comprometido.
Na pecuária leiteira, temperaturas elevadas podem reduzir o conforto térmico dos animais, afetar o consumo e aumentar os custos da atividade.
Análise detalhada: El Niño no Sudeste e os riscos para café, cana e pecuária.
Quais culturas podem ser mais afetadas?
O impacto dependerá da região e da fase de desenvolvimento, mas algumas atividades exigem atenção especial.
Soja
Os principais riscos são:
- atraso no plantio;
- falha na germinação;
- replantio;
- deficiência hídrica durante o desenvolvimento;
- calor excessivo;
- redução da produtividade.
O atraso na soja também poderá comprometer o calendário da segunda safra.
Milho
No milho, a preocupação envolve:
- redução da janela ideal de plantio;
- falta de água em fases críticas;
- calor durante a polinização;
- menor enchimento dos grãos;
- aumento da exposição a pragas;
- queda de produtividade.
Café
O café pode sofrer com:
- irregularidade das chuvas;
- florada desuniforme;
- abortamento;
- falha no pegamento;
- calor excessivo;
- aumento de problemas fitossanitários.
Pecuária
Na pecuária, os efeitos podem surgir por meio de:
- perda da qualidade das pastagens;
- redução da disponibilidade de água;
- aumento do custo da alimentação;
- queda do ganho de peso;
- menor produção de leite;
- necessidade de redução do rebanho.
Trigo e culturas de inverno
No Sul, o excesso de chuva pode favorecer doenças, comprometer a qualidade dos grãos e dificultar a colheita.
O El Niño significa que haverá perda de safra?
Não.
O El Niño aumenta o risco, mas não permite prever isoladamente o resultado de cada propriedade.
Mesmo eventos muito fortes não produzem os impactos típicos em todas as regiões. A própria NOAA ressalta que a intensidade do fenômeno altera as probabilidades, mas não determina um resultado idêntico em todos os lugares.
Essa diferença é importante também do ponto de vista documental e jurídico.
Um boletim informando que houve seca em uma região ajuda a demonstrar o contexto climático, mas não comprova automaticamente:
- quanto o produtor deixou de colher;
- qual era sua produtividade esperada;
- quanto efetivamente produziu;
- qual foi a redução do faturamento;
- quais contratos foram afetados;
- como a perda comprometeu a capacidade de pagamento.
A prova precisa chegar à realidade individual da propriedade.
A maior preocupação pode aparecer depois da lavoura
Quando se fala em El Niño, o primeiro pensamento costuma ser a produção.
Mas o prejuízo pode continuar crescendo mesmo depois da colheita.
Uma safra menor pode comprometer:
- parcelas de custeio;
- financiamentos de investimento;
- aquisição de máquinas;
- CPRs;
- operações de barter;
- contratos com fornecedores;
- arrendamentos;
- despesas da safra seguinte.
Em alguns casos, o produtor consegue colher, mas a receita não é suficiente para cobrir o custo de produção e as obrigações assumidas.
Em outros, a parcela vence antes que a safra seja comercializada.
Também pode ocorrer de a perda atingir duas culturas sucessivas: o atraso da soja reduz a janela do milho, comprometendo duas fontes de receita dentro do mesmo ano agrícola.
O resultado é uma dificuldade temporária de pagamento que, se não for enfrentada antecipadamente, pode evoluir para:
- inadimplência;
- vencimento antecipado do contrato;
- negativação;
- protesto;
- cobrança das garantias;
- execução judicial;
- busca e apreensão de máquinas agrícolas.
Quando existe risco sobre tratores, colheitadeiras ou outros equipamentos essenciais, o produtor também deve conhecer as medidas relacionadas à busca e apreensão de máquinas agrícolas.
O produtor deve esperar a perda acontecer?
Não.
A produção da prova deve começar antes da quebra definitiva da safra.
O produtor que possui financiamentos, CPRs ou parcelas relevantes com vencimento em 2026 ou 2027 deve organizar desde agora:
- contratos e aditivos;
- cronogramas de pagamento;
- extratos das operações;
- previsão inicial de produtividade;
- histórico produtivo da propriedade;
- área plantada;
- notas fiscais de sementes e insumos;
- custos de implantação;
- registros de chuva;
- fotografias e vídeos datados;
- relatórios de assistência técnica;
- mapas e imagens da lavoura.
Durante o desenvolvimento da cultura, é importante registrar:
- falhas na germinação;
- áreas replantadas;
- períodos sem chuva;
- excesso de precipitação;
- erosões;
- alagamentos;
- doenças;
- perdas de estande;
- custos extraordinários;
- redução da estimativa de produtividade.
Depois da colheita, devem ser preservados:
- mapas de produtividade;
- romaneios;
- tickets de pesagem;
- relatórios de armazém;
- notas fiscais de venda;
- descontos por qualidade;
- comprovantes de comercialização;
- comparação com a produtividade esperada;
- laudo emitido por profissional habilitado.
A fotografia da lavoura é importante, mas dificilmente deve ser utilizada como única prova.
O conjunto documental precisa demonstrar o que aconteceu, quanto foi perdido e como isso afetou a renda da atividade.
O El Niño dá direito automático à prorrogação da dívida rural?
Não.
A simples ocorrência do El Niño não altera automaticamente o vencimento dos contratos, não suspende a cobrança e não obriga o banco a aceitar qualquer proposta.
Dependendo da natureza da operação, da causa da dificuldade, da capacidade futura de pagamento e da documentação apresentada, poderá ser analisada a possibilidade de alongamento da dívida rural ou de outra forma de renegociação.
O ponto central é que o produtor precisa demonstrar:
- a ocorrência do evento adverso;
- o impacto sobre sua produção ou comercialização;
- a redução da capacidade de pagamento;
- o caráter temporário da dificuldade;
- a viabilidade de pagamento em um novo cronograma.
Quanto mais próximo estiver o vencimento, menor poderá ser o tempo para organizar o pedido, elaborar o laudo e negociar com a instituição.
A orientação mais segura é não esperar a parcela vencer para iniciar a análise.
A MP 1.376 também cobrirá as perdas do El Niño 2026/2027?
Não se deve partir dessa conclusão.
A redação atual da MP nº 1.376/2026 estabelece linhas de composição para operações específicas e exige, em sua regra geral, perdas registradas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta agropecuária esperada.
Portanto, uma eventual perda ocorrida na safra 2026/2027 não deve ser tratada como automaticamente enquadrada na medida.
O produtor que já possui perdas anteriores pode consultar os critérios atuais na análise sobre a MP 1.376 e a renegociação das dívidas rurais.
Para perdas futuras, será necessário acompanhar:
- o contrato envolvido;
- as regras ordinárias do crédito rural;
- possíveis resoluções específicas;
- seguro rural;
- Proagro;
- medidas governamentais que eventualmente sejam publicadas;
- condições oferecidas pela instituição financeira.
A existência da MP não elimina a necessidade de documentar a nova safra separadamente.
O que fazer se o El Niño comprometer a produção?
O produtor deve agir em três frentes.
1. Frente técnica
É necessário acompanhar a lavoura, registrar os eventos adversos e obter avaliação de profissional habilitado.
O laudo precisa refletir a realidade da propriedade e dialogar com os dados produtivos.
2. Frente financeira
O produtor deve identificar:
- quais parcelas vencerão;
- qual receita era esperada;
- quanto deverá ser efetivamente recebido;
- qual será a insuficiência de caixa;
- quando poderá retomar os pagamentos;
- qual cronograma seria compatível com as próximas safras.
3. Frente contratual
Cada operação precisa ser analisada individualmente.
Devem ser verificados:
- natureza do financiamento;
- fonte dos recursos;
- vencimentos;
- garantias;
- encargos;
- hipóteses de prorrogação;
- cláusulas de vencimento antecipado;
- existência de CPR;
- riscos de cobrança ou execução.
Sem essa análise, o produtor pode apresentar ao banco um pedido genérico, sem relacionar corretamente as perdas aos contratos.
Sete cuidados que o produtor deve tomar agora
1. Localize todos os contratos
Não espere o vencimento para solicitar cópias ao banco ou à cooperativa.
2. Confira as datas das parcelas
Identifique quais obrigações vencem durante o plantio, desenvolvimento, colheita e comercialização.
3. Registre a situação da lavoura
Produza fotografias, vídeos e relatórios durante toda a safra.
4. Preserve documentos financeiros
Notas fiscais, extratos, custos e comprovantes de comercialização serão importantes para demonstrar a redução da renda.
5. Mantenha os dados coerentes
O laudo, as notas, os relatórios e as declarações precisam retratar a mesma realidade.
6. Não provoque a inadimplência sem análise
Deixar uma parcela vencer acreditando que isso facilitará uma renegociação pode elevar os encargos e aumentar os riscos.
7. Não assine uma nova operação olhando apenas para a parcela
Prazo maior não significa necessariamente dívida mais barata. Taxas, garantias e custo efetivo precisam ser comparados.
Perguntas frequentes sobre El Niño e o agronegócio
O El Niño de 2026 será muito forte?
A NOAA estima 81% de probabilidade de intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. A previsão pode ser atualizada conforme novos dados forem incorporados aos modelos.
Quais regiões brasileiras correm mais risco?
O padrão geral aponta maior possibilidade de excesso de chuva no Sul e de precipitações abaixo da média em áreas do Norte e Nordeste. A faixa central do país também pode enfrentar temperaturas elevadas, ondas de calor e irregularidade das chuvas.
O Centro-Oeste terá seca?
Não é possível afirmar que toda a região terá seca. Existe risco de calor, baixa umidade e irregularidade das chuvas em determinadas áreas. As previsões precisam ser acompanhadas continuamente.
O banco é obrigado a prorrogar a dívida por causa do El Niño?
Não de forma automática. O pedido depende da modalidade da operação, da documentação, da capacidade futura de pagamento e da análise do caso.
Fotografias comprovam a quebra de safra?
Elas ajudam, mas devem ser combinadas com laudo, dados de produtividade, registros climáticos, notas fiscais e documentos de comercialização.
O produtor deve procurar o banco antes do vencimento?
A preparação antecipada é recomendável. Esperar a inadimplência pode reduzir o tempo de negociação e aumentar os encargos e riscos contratuais.
Conclusão: a hora de se preparar é antes da perda
O El Niño 2026/2027 já está em andamento e poderá se intensificar durante a primavera e o verão.
Ainda não é possível afirmar quais propriedades sofrerão perdas nem qual será a dimensão dos prejuízos.
Mas já é possível afirmar que o produtor com financiamentos, CPRs ou parcelas relevantes não deve esperar a quebra da safra para organizar contratos e documentos.
Quando o problema chega ao vencimento, pode ser tarde para reconstruir:
- o histórico da lavoura;
- as estimativas de produção;
- os registros climáticos;
- os custos adicionais;
- a redução da renda;
- as comunicações realizadas ao banco.
A preparação antecipada não impede a ocorrência do evento climático.
Mas pode ser decisiva para demonstrar o prejuízo, estruturar uma negociação e evitar que uma dificuldade temporária coloque em risco o patrimônio e a continuidade da atividade rural.
Possui financiamentos ou CPRs com vencimento na safra 2026/2027?
O Gomes Alves & Araújo Advogados atua na análise de contratos rurais, vencimentos, garantias e documentos relacionados à perda da produção.
A análise preventiva permite identificar quais operações podem ser afetadas e quais provas deverão ser preservadas caso o El Niño comprometa a capacidade de pagamento.
Cada situação depende das condições do contrato, das perdas efetivamente sofridas e da documentação disponível.
Este conteúdo possui caráter informativo e não representa previsão de perda, garantia de prorrogação, aprovação bancária ou resultado jurídico. As previsões climáticas podem ser atualizadas pelos órgãos oficiais.
Fontes oficiais consultadas
As informações climáticas e normativas citadas neste artigo devem ser confirmadas diretamente nas fontes oficiais, que são atualizadas periodicamente:
- NOAA / Climate Prediction Center — ENSO Diagnostic Discussion — boletim oficial de monitoramento do El Niño e da La Niña
- INMET — Instituto Nacional de Meteorologia — boletins e dados climáticos oficiais do Brasil
- Monitor de Secas do Brasil — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) — mapas mensais de intensidade da seca por município
- Medida Provisória nº 1.376, de 15 de julho de 2026 — Planalto — texto oficial da norma
